As facetas da crise

25 de maio de 2009 at 11:44 am Deixe um comentário

bovespa
Por Flávia Ferreira

Diferente do que previu Karl Marx em sua explanação sobre o regime capitalista, ele teria sua queda e seria renovado por um outro sistema, mais justo e igualitário. No entanto o que se viu na década de 30 e se tem visto neste século é o fortalecimento cada vez maior desse sistema. É a comprovação de um regime que não está na sintonia necessária. A intenção da política deles é salvar o sistema e restaurar sua capacidade de continuar explorando os trabalhadores.

Mil novecentos e vinte e nove é um ano de profunda crise econômica, só comparável na experiência republicana anterior à gigantesca crise da década de 1890, que só acabou com o enorme esforço de ajustamento do período Campos Sales sob a tutela financeira britânica. Tem-se em 29 uma crise do café, uma inflação em alta e, especialmente, uma crise fiscal.

O craque da bolsa em 1929 ocorreu por não haver procura suficiente para cobrir os gastos de produção. As industrias norte-americanas entraram em um ciclo de superprodução capitalista, o que ocasionou quebra em uma das mais importantes bolsas de valores mundiais, a New York Stock Exchange (Bolsa de Valores de Nova Yorque). As ações perderam quase seu valor total, empresas e bancos foram á falência, empresas reduziram o ritmo de produção, milhões de trabalhadores norte-americanos ficaram desempregados.

De forma igualitária, no século XXI também tem-se uma crise promulgada pelo capitalismo norte-americano. Dessa vez, o sistema imobiliário foi o protagonista da crise. Uma forte especulação imobiliária americana, criou uma “bolha” em torno dos “sub-prime” (títulos podres), que são os créditos de risco concedido a um tomador que não oferece garantias suficientes para ter taxas de juros mais vantajosa. No setor imobiliário, caso o comprador não possa pagar imóvel, a financeira toma a casa para si, muitas vezes era acoplado à emissão de cartões de crédito ou a aluguel de carros. O resultado disso foi a forte inadimplência, porque a sociedade norte-americana ainda ficaria com dívidas monstruosas. Isso ocasionou a quebra de Fanny Mae e a Freddy Mac, que viram como única saída para de emprestar.

Sendo assim, sem financiamentos, com demissões, sem renda, sem consumo, uma concentração de exportação nos EUA, contaminação com títulos podres, disseminou a quebradeira mundial e a recessão. Ou seja, mundo parou diante de uma das mais caóticas experiências econômicas, poderosos países como Inglaterra e Estados Unidos em um grave período de recessão, que congelaram o sistema financeiro mundial. Acompanhou-se a completa inércia e despreparo político do estado para combater tamanha situação. Rios de dinheiros foram gastos com pacotes econômico que não acabavam com a raiz do problema, pois o estimulo do consumo só adiou a instauração da crise econômica, a tornando mais intensa, já que havia muita decida e pouco dinheiro. Enquanto isso a dívida do governo só aumenta, pois, para amenizar os reflexos da crise, o governo compra os “créditos podres” do setor privado.

Mesmo com a iniciativa do governo, milhões de trabalhadores perderam seus empregos no mundo inteiro, pois o peso da crise cai sobre os trabalhadores que não geram lucros suficientes.

Segundo a ONU (organização das Nações Unidas), gastaria-se apenas 30 ou 40 bilhões para garantir que nenhuma pessoa no mundo passasse fome ou morresse de problemas relacionados a essa, no entanto 9 milhões de pessoas ainda morrem disso. A alegação do governo é que nunca se tinha disponível essa quantidade de dinheiro, mas o que se vê em períodos como os que foram passados pela economia mundial é que, com a crise dos bancos, não passa uma semana sem que seja anunciado algum novo pacote dez vezes maior para salvar os especuladores que desencadearam essa crise, como disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pessoas de olhos-azuis. Outrora, mesmo com os discursos populistas do governo Lula, liberou cem bilhões de reais para garantir o mercado de crédito dos bancos.

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